Aluguel, leasing ou financiamento? A escolha errada na aquisição de equipamentos médicos pode custar caro

Entenda as diferenças entre locação, leasing e financiamento de equipamentos médicos e descubra como cada modalidade impacta o caixa, os impostos e os riscos da clínica. Um guia estratégico para escolher o modelo contratual mais eficiente e evitar prejuízos financeiros.

Raul Dias | Advogado

1/21/20263 min read

a room with medical equipment
a room with medical equipment

Uma clínica médica que realiza procedimentos complexos depende de tecnologia de ponta. Porém, ao cotar um novo ultrassom ou um equipamento de ECG, o gestor se depara com um dilema que vai além do preço: qual a melhor modalidade contratual para adquirir esse bem sem asfixiar o caixa?

As três opções clássicas — Aluguel (Locação), Leasing e Financiamento — possuem impactos tributários e riscos operacionais e legais distintos. Olhar apenas para o valor da prestação é um erro comum, que corrói a margem de lucro. Entenda os prós e contras de cada uma das oplções:

Locação: foco em flexibilidade e tranquilidade

É a modalidade mais adequada para quem prioriza o uso e não a propriedade do bem. A manutenção costuma correr por conta da locadora, de acordo com o contrato, e o risco de obsolescência do equipamento não recai sobre a clínica, que pode, a qualquer momento — muitas vezes sem multas — devolver o equipamento e alugar um novo.

Do ponto de vista financeiro, o aluguel é despesa e não dívida financeira. Isso mantém o balanço da clínica disponível para a tomada de crédito para outras finalidades, como obras e expansão. Ainda, do ponto de vista tributário, para clínicas no regime do Lucro Real, os aluguéis são dedutíveis.

Leasing: híbrido, com vantagens tributárias

No leasing, chamado também de arrendamento mercantil, o adquirente — arrendatário — paga uma contraprestação mensal para o arrendador — o fabricante ou uma instituição equiparada a instituição financeira — e, ao final, poderá optar por ou ficar com o bem, pagando um valor residual (VRG), ou devolvê-lo ou ainda renovar o contrato. Nesse regime, as contraprestações também são dedutíveis do IRPJ no Lucro Real, o que pode torná-lo financeiramente atrativo. A manutenção, contudo, costuma ficar por conta do arrendatário, e a rescisão antecipada é cara.

Financiamento: a modalidade tradicional

No financiamento, você pega dinheiro emprestado vinculado a compra do bem, que será sua propriedade — alienado ou gravado como garantia para o banco. Para clínicas que não estão no Lucro Real — que são a maioria das clínicas de médio e pequeno porte — as parcelas podem compensar mais que a contraprestação do leasing, já que não há abatimento.

Nessa situação, o risco da obsolescência do bem ficará inteiramente com a clínica médica. Se for um equipamento com vida útil curta ou com risco de se tornar desatualizado, você ficará com um ativo difícil de revender e provavelmente terá uma perda.

Veredito: o que vale mais a pena?

A resposta dependerá de múltiplos fatores. Aqui, trabalhamos especialmente dois: o regime tributário e a vida útil do bem. Se a sua clínica ou estabelecimento de saúde está no Lucro Real, o leasing ou a locação costumam ser financeiramente melhores. Se não, se for do Simples Nacional ou do Lucro Presumido, essas vantagens desaparecem. Por outro lado, há que se considerar o risco do equipamento quebrar, exigir manutenção ou ficar obsoleto, caso em que a locação se destacará pela tranquilidade obtida.

Não assine contratos olhando apenas para a prestação ou para a taxa de juros. Uma aquisição mal estruturada pode comprometer a capacidade de crédito e pode gerar passivos prejudiciais. A análise deve ser jurídica, financeira e tributária. Como advogado, nosso papel é garantir que o contrato traga a tecnologia que você precisa, com segurança jurídica e eficiência financeira, alinhado a uma visão de negócios para você, seus sócios e seu bolso.